[Revista PnP] Boletim nº 93 - Porque os micros “dão tanto problema”?
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Boletim informativo nº 93 - 30/01/09
Prezado(a)

Todo mundo que lida com manutenção e instalação de computadores está acostumado a escutar a pergunta abaixo. Mas será verdade? Acompanhe nossas considerações, e tenha argumentos para responder adequadamente quando lhe perguntarem novamente:

Porque os micros “dão tanto problema”?


Ao contrário do que muitos pensam os computadores não são máquinas infalíveis. Claro que, se comparados a um ser humano, podem fazer a mesma operação milhões de vezes sem erro mas, caso alguma coisa saia fora do que foi previsto, o cérebro humano tem muito mais facilidade para decidir o que fazer e encontrar uma solução.

Os computadores fazem apenas aquilo o que foram programados para fazer — e nada além disto. Quando algo sai errado deve entrar em ação o técnico de manutenção de software ou de hardware para descobrir o que está falhando e corrigir o problema retornando o sistema ao seu funcionamento correto habitual.

Justiça seja feita, os erros que ocorrem nos computadores são poucos em relação ao tempo de uso e à quantidade de operações realizadas. Levando-se em conta a complexidade de um computador, é admirável que ele funcione tão bem e apenas raramente apresente algum problema o que, aliás, não é privilégio dos computadores – todos os equipamentos apresentam defeito, desde um televisor até um liquidificador e o computador, em última análise, não passa de um eletrodoméstico.

O projeto de um computador

Deve-se ter sempre em conta que computadores são máquinas muito complexas e que são fruto do trabalho entrelaçado e coordenado de muitas equipes de técnicos altamente qualificados. Ninguém trabalha sozinho na área de desenvolvimento de hardware ou de software.

Tomemos como exemplo o desenho de um chip que será utilizado para controlar uma placa de vídeo. O engenheiro que vai projetar o chip recebe a especificação técnica do fabricante da placa mãe, do fabricante dos monitores, dos programadores e da fábrica que vai fabricar o componente. Tem então que juntar tudo isto em uma pastilha de silício onde terminará seu trabalho, mas será a partir dele que outras equipes iniciarão sua parte do trabalho. Uma vez que o microchip de vídeo esteja projetado e com sua produção em larga escala viabilizada, começam os estudos para seu uso prático. Deve ser incluído em um projeto de placa de vídeo que, por sua vez, deve ser incluída em uma ou mais placa-mãe que, por sua vez, terão milhares de outros componentes e, por fim, precisa-se do software para instalação e também dos drivers específícos do periférico para que aquele chip de vídeo realmente seja útil para alguma coisa e possa, finalmente, ser vendido.

É uma longa jornada. Levando-se em conta que o projeto de um pequeno chip de vídeo passa por centenas de profissionais qualificados, pode-se ter uma idéia de quantas pessoas estão envolvidas, por exemplo, no projeto de uma placa mãe.

E este processo de projeto e produção se repete em todos os componentes como hard-disk, cabos, conectores, leitores de discos, mouses, monitores e em cada pequeno componente ou placa dos computadores, sem falar dos próprios sistemas operacionais como Windows, Linux ou MacOS e os programas.

A cadeia de comandoPercurso de um comando a partir do software até o hardware

Se falarmos no software, então, a situação é tão ou mais complexa. Os programas trabalham em camadas, ou seja, aquele projeto de chip de vídeo precisa receber as instruções em linguagem de máquina, ou seja, “zeros” e “uns” devidamente codificados para que possam transformar-se em sinal de vídeo de forma que possa ser mostrado no monitor. O processador, o chipset e todo o resto do hardware também só “entendem” comandos recebidos em linguagem de máquina, ou seja, codificações em linguagem binária. Estes comandos são passados de dispositivo para dispositivo de maneira ordenada, como se fossem camadas hierárquicas de um exército imaginário.

Acompanhe pela figura ao lado. Existem vários níveis (camadas) para o funcionamento de um computador. Quando o operador, digamos, clica em um “OK” numa caixa de diálogo de um aplicativo ou pede a execução de algum comando desencadeia uma série de acontecimentos em cascata numa seqüência hierárquica onde cada etapa depende da anterior.

O nível mais alto é o do APLICATIVO, que recebe um COMANDO que o faz solicitar uma série de ações feitas pelo SISTEMA OPERACIONAL. Este, por sua vez, aciona os controladores de dispositivos (“DRIVERS”) que forem necessários, sejam eles acionadores de vídeo, de impressão, acesso a disco e outros. Os drivers então entram em ação, acionando os softwares contidos na BIOS tendo assim acesso aos serviços básicos de comunicação aos dispositivos. A BIOS, por sua vez, aciona o CHIPSET e circuitos correlatos que, finalmente, acionam os respectivos dispositivos de HARDWARE.

Esta é uma descrição bem simplificada do funcionamento interno um computador. Na realidade as coisas são mais complexas, porém esta descrição é bem ilustrativa.

Camadas de funcionamento do software

Dentro dos programas por sua vez, este processo de camadas de comando se repete. Nenhum programador se meteria a desenvolver, por exemplo, um editor de textos fazendo também as rotinas em assembler (linguagem de máquina) para acessar desde o hardware até a interface com o usuário, as duas pontas da cadeia de comando, passando por todas as etapas intermediárias.

Cada tarefa de software requer um leque de conhecimentos do profissional que, por sua vez, necessita de um longo treinamento e experiência até poder executar estas tarefas. Dentro de uma equipe que desenvolve programas existem os profissionais que fazem as funções principais e repetitivas do programa, também chamadas de “bibliotecas”. Existem os encarregados das partes do programa que permitem acesso ao hardware e há também as equipes que cuidam do uso do programa propriamente dito, tal como ele aparece para o operador.

As bibliotecas são parte importantíssima do desenvolvimento de programas para computador. Os próprios drivers de dispositivo são construídos em cima de bibliotecas feitas por outras equipes. Os sistemas operacionais são feitos com bibliotecas feitas com bibliotecas, que por sua vez são feitas com outras bibliotecas, e assim por diante.

Como estas bibliotecas são interligadas? É preciso saber que as bibliotecas são coleções de rotinas para executar funções específicas e que, geralmente, são utilizadas por mais de um módulo do programa ou até de outros programas. Além disto saiba que, com exceção da linguagem assembler, as linguagens de programação são constituídas por:
• Uma coleção de bibliotecas,
• Um programa montador, e
• Um programa compilador.

O programa montador faz a chamda “linkagem” (ligação) dos diversos módulos que formam programas, ou seja, coloca todos “falando” a mesma língua de forma que possa ser “entendida” pelo computador, ou seja, devem estar em formato binário.

O programa compilador transforma os programas já devidamente “montados” em arquivos executáveis (.EXE ou .COM) de maneira que possam ser interpretados e colocados em ação pelo sistema operacional.

E é justamente este processo de bibliotecas criadas com bibliotecas que os programas e sistemas operacionais foram inchando ao longo das décadas. Hoje o Vista tem centenas de vezes mais código que as primeiras versões de Windows, mas suas funções não cresceram na mesma proporção. O mesmo se pode dizer de todos os outros programas, como o Word, AutoCAD, Photoshop e todos os demais. É código em cima de código, no que os americanos chamam de “software bloating”, ou seja, “inchamento de software”. Este inchamento é um dos maiores causadores das lentidões, travamentos e erros apresentados nos micros atuais.

Agora responda: os computadores dão mesmo muito erro?

Diante do aqui exposto têm-se uma idéia da complexidade embutida mesmo em um pequeno computador de mesa, usado para digitar textos e acessar a Internet. Centenas de equipes, falando as mais diversas línguas, com as mais diversas formações profissionais, em vários países e cada um com sua cultura, trabalham incessantemente tentando entrar em acordo quanto a padronizações, custos, bibliotecas e conhecimentos nas mais diversas áreas como matemática, química, física, mecânica, programação e outras.

Desta maneira, quando alguém diz coisas como “não gosto de computadores, dão muito problema”, ou então “no tempo da máquina de escrever era mais tranqüilo”, é bom lembrá-las que computadores são máquinas maravilhosas: tão complexas e cheias de detalhes que é de se admirar que só de vez em quando apresentam algum tipo de erro. Neste ponto sempre é bom lembrá-las de uma coisa muito importante:

Equipamentos precisam de manutenção e técnica!

A operação dos computadores se simplificou bastante e hoje até crianças que mal sabem escrever podem brincar, jogar, acessar a Internet e fazer tarefas simplesmente inimagináveis há poucos anos.

O aparecimento da Internet foi um acontecimento fantástico, com desdobramentos em todas as áreas da atividade humana. A Internet hoje está tão integrada à vida de todos nós que às vezes nem percebemos o quão representativa é esta tecnologia, de tão simples de usar que se tornou.

Entretanto, esta aparente simplicidade do computador esconde uma infinidade de conhecimentos técnicos embutidos por dentro do gabinete e seus componentes. Volta e meia, esta complexidade escondida vem à tona na forma de um modem que não conecta, um computador que trava ou uma impressora que se recusa a imprimir.
Os motivos para estes problemas são de diversas ordens: aquecimento, peças defeituosas ou gastas, programas instalados indevidamente ou defeituosos, vírus ou, simplesmente, desgaste, fruto de anos de funcionamento contínuo, dia após dia.

Muitas pessoas reclamam quando o computador dá defeito, porém nem se lembram mais há quantos anos ele está em pleno funcionamento prestando bons serviços!
Assim, chegamos finalmente ao objetivo da Revista PnP: ajudar os leitores a montar computadores e sistemas de redes confiáveis, assim como fornecer conhecimentos técnicos para colocar os micros e sistemas em plena atividade novamente.

• Leia este artigo na íntegra no site da Thecnica Sistemas:
Porque os micros dão tanto problema?

• Veja também os demais artigos sobre montagem e manutenção já publicados na Revista PnP:
Edição nº 11 - Escolhendo e comprando os componentes dos micros
Edição nº 10 - Os 10 defeitos mais comuns dos micros
Edição nº 10 - Erros de tela azul do Windows
Edição nº 9 - Manutenção de micros
Edição nº 8 - Lidando com o Windows Vista
Edição nº 7 - Fontes de alimentação: onde tudo começa (e pode acabar...)
Edição nº 6 - Monte e administre sua própria oficina de assistência técnica
Edição nº 6 - Técnicas de backup
Edição nº 5 - Técnicos de informática: A difícil convivência entre o legal e o ilegal
Edição nº 5 - Manutenção de notebooks: Como entrar neste mercado?
Edição nº 4 - Reparação de placa-mãe
Edição nº 3 - Gerenciamento de Patches em Redes Windows
Edição nº 2 - Livrando-se dos virus dos PCs e da rede
Edição nº 2 - Entendendo e consertando acessos de banda larga
Edição nº 1 - Migração de Dados entre PCs

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Conteúdo da Revista PnP nº 11 – Escolhendo e comprando os componentes dos micros

  • Comprar ou montar os micros, esta é a questão
  • Escolhendo e comprando os componentes dos micros
  • Usando terminais sem HD com o Windows Server 2003
  • Montando seu próprio servidor de FTP
  • Windows XP e Vista 64 bits
  • Histórias da vida real
  • Entrar para o serviço público ou trabalhar por conta?

Veja mais detalhes no site da Thecnica Sistemas, inclusive com a reprodução das primeiras páginas de cada artigo:
Revista PnP nº 11 - Escolhendo e comprando os componentes dos micros

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