[Revista PnP] Boletim nº 217 - Como e porque a Apple torna seus produtos caros e difíceis de reparar
   
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Boletim informativo nº 217 - 03/06/2013

Prezado

A Revista PnP nº 27 traz o artigo “Manutenção de notebooks, tablets e smartphones: o que precisa para ganhar dinheiro neste mercado?”. Neste artigo da PnP 27 contamos um pouco da história dos técnicos de eletrônica e informática nos últimos 30 anos e a partir daí procuramos prever como será o futuro destas duas profissões. Um dos fatores citados é a maneira como a tecnologia de construção dos aparelhos vem evoluindo, e a história da Apple e de seus iPhones e iPads nos dá boas pistas de como as coisas estão se direcionando.

Como e porque a Apple torna seus produtos caros e difíceis de reparar. O que significa para nós, técnicos e consumidores?

por Iberê M. Campos, editor da Revista PnP

Leia em nosso site a versão completa deste artigo, com as fotos e mais informações

iPhone desmontado

Nos últimos 6 anos a Apple deixou de ser um fabricante elitista (porém importante) de computadores, para criar e dominar todo um mercado de massa, dos smartphones e tablets, com seus iPhones e iPads. Para estas novas linhas, a empresa vem atraindo muitas críticas por fabricar dispositivos que são difíceis de consertar e de difícil reciclagem. Porque e como isso acontece? Em que isto afeta a vida dos técnicos de manutenção e dos próprios consumidores?

A Apple foi criada em uma garagem, e de lá conquistou o mundo dos negócios e um lugar definitivo no coração de seus fãs. Uma vez que a pessoa tenha sido cativada pelo “mundo Apple” dificilmente conseguirá olhar para os produtos dos concorrentes com os mesmos olhos. Prova disto são as enormes filas de consumidores que passam madrugadas só para adquirir – e pagar caro – um produto qualquer da marca que esteja sendo lançado.

Apesar desta legião de fãs incondicionais, a empresa tem atraído muitas críticas ao fazer dispositivos difíceis de consertar e de reciclar. O conserto deste tipo de aparelho pode ser até relevado em países ricos, mas nestes a reciclagem dos materiais é mandatória, enquanto que nos países pobres é o contrário, ou seja, a reciclagem não é assim tão levada em conta, mas o reparo dos aparelhos deveria ser mais simples, devido ao menor poder aquisitivo da população.

Um dos maiores críticos às políticas de projeto e manutenção da Apple é a empresa iFixIT (www.ifixit.com) que é especializada em fazer consertos e vender peças e ferramentas para esta finalidade, estando nesta atividade desde 2006. A empresa já desmontou e analisou centenas de produtos e deve saber muito bem do que está falando.

Isto posto, vem a pergunta inevitável: “certo, mas que tipo de coisa exatamente a Apple está fazendo para tornar seus produtos assim tão difíceis de serem reparados?” Separamos alguns exemplos, publicados em sites internacionais, com imagens fornecidas gentilmente pela própria iFixt, vejamos:

Peças presas com adesivo dificultam visualização e remoção
A iFixit teve que ser criativa para conseguir desmontar os aparelhos da Apple, como o iPad4 e o iPad mini, de forma a não quebrar a delicada tela LCD. Começa pela abertura inicial do equipamento (foto acima, esquerda) que é muito mais delicada do que abrir um notebook comum. Depois que se ganha acesso ao interior do equipamento, resta tentar descolar as peças, o que é muito arriscado pelo risco de quebrar alguma das delicadas peças. Para soldar as colas, a iFixit acabou inventando um pequeno dispositivo que denominaram “iOpener”, termo que podemos traduzir livremente como “iAbridor”, ou seja, “abridor de coisas da linha i da Apple”. Trata-se de um pequeno saco (vide foto acima, a direita) que contêm uma substância passível de ser esquentada num forno de microondas. Este saco é colocado junto aos componentes colados, e é esquentado por cerca de 30 minutos no microondas até que a cola fique amolecida e os componentes possam ser separados. Talvez poderiam conseguir esta separação usando pistolas de ar quente, usadas para reparação em eletrônica, mas eles são especialistas no assunto e devem ter tido bons motivos para inventar o “iOpener”.

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Parafusos pequenos (na verdade, minúsculos) e em formatos proprietários
Quando a Apple não está usando parafusos extremamente pequenos, volta-se para o uso de formatos proprietários, criados por eles mesmos. A Apple não se limita a miniaturizar os aparelhos, mas também gosta de diminuir o tamanho dos parafusos e travas. O Ipad mini, por exemplo, é fechado com alguns dos menores parafusos já vistos pela iFixit. A imagem acima à esquerda mostra dois parafusos: o maior foi retirado da parte de baixo de um iPhone 5, e o menor foi retirado de dentro do iPad mini. Para efeito de demonstrar a ordem de grande dos tamanhos relativos, a foto acima à esquerda foi tirada em cima de uma palheta usada para tocar violões, guitarras e outros instrumentos de corda.
Como se não bastasse, ambos os parafusos são especiais, usando um formato proprietário. Por isso, necessitam de chaves especiais para prender e soltar como, por exemplo, a chave de fenda denominada “pentalobe”, usada para os parafusos achados na linha MacBook e iPhone.

Revista PnP nº 25 A montagem de oficinas de informática é o tema principal da Revista PnP nº 25. Mostramos diversos itens importantes tais como montagem da oficina e da bancada de trabalho, como fazer preço, como atender clientes e muito mais.

Componentes proprietários
Este é um recurso que a Apple usa deste seus primeiros modelos de computador, ou seja, usar componentes desenvolvidos e fabricados especialmente para a empresa. Verdade seja dita, outros grandes fabricantes como HP, Lenovo e Dell também fazem isso, mas no caso da Apple estes componentes são usados até mesmo quando não haveria necessidade, pois existem componentes de linha que poderiam perfeitamente servir. Um bom exemplo disto são os parafusos com cabeça “pentalobe” (foto acima, à esquerda) que são minúsculos, facílimos de perder ao desmontar o aparelho e que necessitam de uma chave de fenda especial. Outro exemplo da filosofia da Apple: a maioria dos notebooks de outros fabricantes, até mesmo os modelos mais novos, que usam discos de estado sólido (SSD), podem facilmente terem um upgrade feito até mesmo pelo usário. Mas esse não é o caso da linha MacBook Pro da Apple, que usa um disco rígido em formato proprietário, visto na foto acima, à direita. Por que isso? Não seria possível fazer um design que utilizasse um HD comum, de linha? É muito provável que sim, e só uma meia dúzia de pessoas da Apple é que poderiam explicar porque optaram por um formato proprietário até mesmo em um item tão corriqueiro como um HD.

Memórias RAM soldadas na placa-mãe
Os novos notebooks MacBook Pro trazem chips de memória RAM soldados diretamente na placa-mãe, tornando impossível fazer qualquer tipo de upgrade de memória e dificultando bastante qualquer manutenção. Isto parece ser um recado muito alto e claro, ou seja, “este aparelho não é para ser alterado, use-o como é ou então compre outro se não estiver satisfeito”.

Displays fundidos e em peça única Outro truquezinho usado pela Apple para dificultar a pesquisa e manutenção em seus aparelhos é fundir as partes do mostrador (display) em um único bloco, tornando impossível sua reparação. Se alguma coisa dentro do display se quebrar (vide foto acima, esquerda) a unidade teria que ser trocada como um todo, o que é economicamente inviável e acaba condenando o aparelho à sucata. Em aparelhos de outras marcas, um reparo desse tipo seria simples e barato, mas a Apple gosta deste tipo de dificuldade... porque será?
Uma possível resposta à essa pergunta é que a Apple quer tornar seus iPads e iPhones o tão finos quanto possível e por isso prefere fundir o vidro frontal, o digitalizador do display e o próprio display LCD em um componente único, tornando os consertos difíceis, caros e inviáveis.

Baterias e contatos soldados
A Apple não se contenta em colar as baterias no lugar, mas também solda os contatos na placa-mãe, tornando a troca de baterias uma operação difícil, cara e freqüentemente inviável, pelo risco de tornar o aparelho totalmente inoperante. Uma troca de baterias feita na rede autorizada da empresa pode ficar tão cara que é melhor comprar um aparelho novo... Certo, mas não seria justamente esta a idéia? Fora isso, os cabos também seguem a mesma filosofia de componentes soldados na placa lógica. Na 7ª geração do iPad Nano, por exemplo, a bateria, o conector de iluminação, o botão do cabo e o plug do fone de ouvido vêm soldados na placa lógica, novamente tornando cara e difícil sua substituição.

Conectores soldados na placa lógica
Fora as baterias e cabos, a Apple deve considerar que os conectores dos cabos flat usam “muito” espaço do exíguo interior dos aparelhos da Apple, que vem cada vez mais optando por soldar os cabos flat diretamente na placa-mãe, sem conectores como manda a boa norma dos aparelhos feitos para serem consertados quando for preciso. O fato dos cabos serem soldados diretamente na placa significa que se houver algum problema com o cabo ou com seu conector, a placa como um todo precisará ser substituída, aumentando desnecessariamente o custo da reparação.

A pergunta que não calar, portanto, é porque a empresa usa tantos componentes proprietários e dificulta ao máximo a manutenção de seus aparelhos. A resposta óbvia é que a empresa não quer que seus equipamentos sejam consertados. Justiça seja feita, componentes colados e cabos soldados diretamente na placa-mãe tornam o aparelho mais robusto e durável, porém às custas de uma manutenção cara, quando necessária, mesmo considerando-se os altos preços cobrados pela Apple. Pois é, não é à toa que a Apple tem mais de 100 bilhões de dólares em dinheiro vivo depositado em suas contas. Só para se ter uma idéia do que significa este montante, basta dizer que a dívida externa do Brasil no final de 2011 era de US$ 300 bilhões, e podemos também lembrar que o fabricante italiano de automóveis Fiat pagou US$ 7,6 bilhões em 2011 para adquirir a Chrysler, uma das maiores montadoras de automóveis do mundo.

O que isso tudo significa para os técnicos e consumidores?

Do ponto de vista dos técnicos de reparação em eletrônica e informática, esta postura da Apple tem diversas consequências. É claro que não é só a Apple que segue esta estratégia, muitos outros fabricantes acabam seguindo a mesma trilha, até porque compartilham os mesmos fornecedores e tecnologias similares, mas o caso da Apple é emblemático e demonstra bem o que vem acontecendo.

Mostra como os aparelhos eletrônicos agora são descartáveis, não sujeitos a manutenções. É o caso típico dos celulares, quando quebra o usuário joga fora e compra um novo, com mais recursos e financiado em muitas prestações. O técnico que se propõe a consertar um eletrônico moderno vai deparar-se com aparelhos difíceis de abrir, que utilizam muitos componentes proprietários e difíceis de conseguir, peças e montagens tão minúsculas que só mesmo com uma boa lente de aumento se consegue trabalhar...

O diagnóstico também é difícil, pois os circuitos são sofisticados e com várias interconexões entre os blocos funcionais. Isto dificulta a análise do circuito por estágios, como se fazia antigamente nos aparelhos como televisores e aparelhos de som. Nestes, era simples isolar um único bloco do restante dos circuitos e determinar se ele estava ou não defeituoso, depois era só reparar o que estivesse estragado e pronto, aparelho funcionando. Hoje em dia isso é praticamente impossível, pois os aparelhos são PCs em miniatura onde o hardware interage com o software e com as configurações feitas pelo usuário, ou seja, existem muito mais variáveis a ser consideradas.

Em termos práticos, o que temos é o seguinte: os aparelhos são difíceis de reparar, demandando muitas horas de trabalho. O técnico precisa atualizar-se e pesquisar cada vez mais, para manter-se a par do que acontece no mundo da eletrônica e da informática, e consequentemente sua hora técnica acaba sendo mais cara, até porque a formação de um técnico hoje demanda muito mais anos de estudo e prática do que há 10 ou 20 anos atrás. Assim, nesta combinação de preço alto e muitas horas trabalhadas em cada aparelho tem-se como resultado o fato dos consertos frequentemente ficarem mais caros do que o preço de um aparelho novo. E como os técnicos de manutenção vão sobreviver nesse mercado? Bem, o que podemos dizer no momento é que este é um dos assuntos que estudamos na Revista PnP...


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