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O futuro dos técnicos de informática: adaptar-se ou desaparecer

Por Iberê M. Campos equipe


A profissão de técnico de informática mudou muito desde que surgiu, nos anos 80. A tecnologia mudou, o público é outro, as escolas se especializaram e hoje em dia quem quiser sobreviver precisa aprender não só a parte técnica mas também e principalmente como se atualizar e se adaptar às constantes mudanças. Mas quais são as mudanças? O que é preciso fazer? Como conquisto novos clientes? Analisemos a situação.

Os primeiros técnicos de informática precisaram aprender a montar e consertar um computador trocando placas, além de instalar o sistema operacional e softwares necessários, instalar impressoras, e por fim, diagnosticar alguns defeitos.

Numa próxima etapa, precisou incorporar conhecimento sobre as redes. Ter conhecimento de redes era um grande diferencial, a princípio com as Novell Netware, depois vieram as redes Windows. Era preciso saber instalar as placas de rede, fazer os cabos e conectar hubs e switches.

Veio assim a primeira divisão no perfil do profissional: agora não existia apenas o técnico de informática, mas também o técnico de redes e o administrador de redes.

Com o crescimento do emprego das redes nas mais variadas empresas, passou a ser necessário ter mais pessoas para dar conta do volume de trabalho. E surge o Analista de Sistemas, que era uma mistura de programador com engenheiro de sistemas, apontando que novas mudanças no perfil de trabalho estavam surgindo no horizonte.

Quando surgiu a Internet, no início dos anos 90 no Brasil, surgiram também oportunidades nos mais variados campos de atuação. Havia diversos perfis de especialista, podendo se dedicar a nichos exclusivos. Vários técnicos de informática se tornaram administrares de redes, especialistas em cabeamento de redes ou redes sem fio, especialistas em manutenção de impressoras, especialistas em segurança, desenvolvedores de softwares, desenvolvedores web, instrutores ou especialistas em suporte técnico. Se extrapolarmos esta evolução em direção ao futuro podemos perceber algumas tendências e responder a uma pergunta importantíssima: o que o técnico de informática tem que saber hoje para enfrentar as mudanças que estamos enfrentando?

Assim como o técnico de informática foi acumulando funções ao longo do tempo, outras profissões acabaram vindo para concorrer com o técnico. Em especial, podemos citar o técnico em telefonia e o de sistemas de alarme. Com a evolução e a convergência de vários serviços que já existiam para redes IPs, nada mais natural que o técnico de informática, com o mínimo de boa vontade, consiga agregar esses conhecimentos a sua bagagem. O técnico de informática até pode não saber executar o serviço de telefonia e alarmes, mas ele tem que ter um conhecimento geral do assunto, para poder dar suporte ao cliente que perguntar sobre o serviço, minimizando o risco de perder o cliente para um concorrente mais capacitado.

Os sistemas de câmeras de vigilância também vêm há tempos migrado para redes IP, tornando sua aplicação mais simples e também mais acessível. Já existem há tempos placas para monitoramento de câmeras, o que lhe confere todas as conveniências que um computador pode oferecer, como acessar remotamente a visualização das câmeras. O mercado como um todo migrou para sistemas baseados em processadores X86 (os mesmos dos PCs) deixando-os consideravelmente mais baratos e fáceis de usar e com vários recursos, com destaque para o acesso remoto das câmeras via smartphone. Se um DVR é muito para você, uma alternativa são as câmeras IP, como acesso remoto nativo. Em outras palavras, excetuando por um detalhe ou outro, instalar um DVR ou uma câmera IP, não é muito diferente de instalar um servidor ou estação na rede.

Foram estas áreas alternativas, temos também os computadores que vêm em novos formatos. O mais comum deles todos nós temos sempre conosco – os smartphones. Eles não passam de PCs em miniatura, com hardware, sistema operacional, aplicativos e conexões de rede. Diversos serviços são oferecidos através dos smartphones e tablets, desde de acesso ao e-mail a softwares de gestão e produtividade, sem falar das redes sociais. Tudo isso precisa ser configurado e consertado, e quem melhor para isto do que o técnico de informática?

É claro que é muito fácil instalar um software num smartphone, seja ele um Android ou um iPhone, através de suas respectivas lojas onlines, mas como fica o acesso à rede sem fio de trabalho? E as configurações de segurança? E se o software utilizado profissionalmente não está disponível na loja online e precisa ser instalado em modo offline? Quem vai sanar a dúvida do software? Quem vai sugerir uma solução quando o usuário precisa fazer algo mais específico e não tem idéia do que fazer? E quando o sistema apresentar um problema? Essa é uma tarefa que pode ser facilmente resolvida por qualquer técnico de informática com boa vontade e senso de oportunidade.

A cliente também, obviamente, vem mudando ao longo dos anos. Hoje em dia há uma clara divisão entre clientes pessoa física e jurídica, cada um deles tem suas características, que podem ser boas ou ruins para cada grupo de profissionais. Mas a situação também exige uma especialização, quem se prepara para atender empresas pode ter dificuldades para atender pessoas físicas e vice-versa. As características de cada um destes grupos os tornam de certa forma incompatíveis. Mas isto não tira a importância da clientela. É daí que virá o dinheiro, a verba para estudar, pesquisar e atualizar-se, formando assim um círculo vicioso: o técnico presta serviços e recebe por isto, parte do que recebe deve ser reinvestido para atualizar-se e aprender novas coisas, para assim não apenas manter como aumentar a clientela e assim por diante.

Em resumo, o que conseguimos antever é o seguinte: aquela figura do técnico de informática que ficava numa bancada trocando placas e reinstalando o Windows, ou então aquele que ia com uma malinha cheia de CDs até seu cliente estão se tornando figuras mais raras. O grosso do serviço das oficinas de informática nos lugares mais afastados continuará durante alguns anos se resumindo a consertar PCs e seus acessórios, com predomínio dos notebooks. Nas grandes cidades o trabalho se tornou tão variado que os técnicos acabam tendo que se especializar em alguma área: manutenção de notebooks, de smartphones, redes sem fio, servidores e sistemas de segurança são apenas algumas das possíveis áreas. Os profissionais que conseguirem entender e se adaptar a esta movimentação terão mais sucesso em suas carreiras, enquanto que os demais tenderão lentamente a desaparecer, seja porque se aposentaram, morreram ou porque mudaram para outros ramos de atividade.

Este assunto está discutido em profundidade na Revista PnP nº 35, nos artigos “O novo técnico de informática: adaptando-se aos novos tempos” e “O que é um bom cliente? Como formar uma clientela?”. Sugerimos a leitura destes dois artigos para um melhor entendimento e análise da situação.



Publicado em 03/04/2017 às 00:00 hs


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