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Blu-ray está em queda livre. Como ficam os consumidores?

Por Iberê M. Campos equipe

Foi longa a briga entre os formatos HD-DVD e o Blu-ray pela definição do padrão de gravação de alta capacidade. Cada um dos formatos tinha seus defensores, vantagens e desvantagens. No final das contas, o formato Blu-ray ganhou a disputa, mas não por méritos próprios, na verdade o combate foi ganho por nocaute quando o HD-DVD saiu de cena. Agora o próprio Blu-ray agora está em queda livre, tendo despertado pouca atenção como mídia de vídeos de alta definição. Nos computadores, entretanto, o Blu-ray pode ter várias aplicações como sistema de backup e transporte de dados em grande quantidade, cada vez mais necessário nestes tempos de discos rígidos de 1 Terabyte e crescendo cada vez mais. Acompanhe o que está acontecendo com o Blu-ray e programe melhor suas compras.

Esperava-se que os discos Blu-ray fossem os sucessores do bem sucedido DVD, em especial para a reprodução de vídeo em alta resolução para as moderníssimas TVs de plasma e LCD. Mas a realidade tem se mostrando muito dura com esta inovação tecnológica, ainda mais depois da quebra das bolsas americanas no segundo semestre de 2008, que levou a maior economia do planeta a uma estagnação raramente observada.

Em 0utubro de 2008 os vídeos no formato Blu-ray tinham conseguido apenas 4% de participação no mercado de filmes nos EUA. Nem mesmo a dramática redução de preço dos leitores Blu-ray para menos de US$ 100 ajudou a despertar a atenção dos compradores.

Porque isto vem acontecendo? Provavelmente porque o produto não seja o que os consumidores desejam. O DVD convencional tem uma qualidade bastante aceitável, e o download e visualização de filmes pela internet cresce a passos largos, mesmo com qualidade abaixo dos DVDs, ou seja, o consumidor médio não está assim tão preocupado em obter a máxima qualidade que poderia conseguir em suas TVs, em especial quando a recessão econômica bate à porta.

A briga entre o HD-DVD e o Blu-ray lembra muito outras disputas comerciais que já ocorreram no mercado de consumo de bens eletrônicos. Estamos falando da disputa entre VHS e Betamax, Laser Disk versus fitas de vídeo, DVD-áudio versus CDs, NTSC versus PAL-M e por aí afora.

Sempre que existe disputa comercial pela definição de um padrão técnico, costuma haver mais perdedores do que vencedores. Enquanto estamos escrevendo este artigo, passaram-se 8 meses desde que a Toshiba desistiu de seu padrão HD-DVD, mas seu concorrente Blu-ray ainda não mostrou o que vai fazer com sua vitória.

O problema todo é o volume de produção. Certamente que os reprodutores de US$ 100 ajudam, mas a estratégia dos estúdios de cinema parece estar longe da realidade dos consumidores, estratégia que poderia até ter funcionado uns 5 anos atrás, mas que hoje nada mais tem a ver com os desejos e possibilidades do mercado.

Dois fatores principias contribuíram para o fracasso do Blu-ray. Em primeiro lugar, a briga com o HD-DVD paralisou a indústria quando havia interesse por vídeos em altíssima resolução. Hoje, este interesse parece ter diminuído. Em segundo lugar, surgiram os reprodutores de DVD baratos, porém capazes de gerar imagens de maior resolução pela reamostragem do vídeo original.

De repente, o consumidor médio consegue colocar conteúdo de alta qualidade em suas HDTV usando um DVD comum. Não os piratas, que já tiveram sua qualidade reduzida para caber em mídias de 4.7GB, mas os originais feitos industrialmente em mídias de 8 GB. Quando o Blu-ray foi criado, ninguém cogitou que isto poderia acontecer.

A Blu-ray Association esperava que houvesse uma grande entrada de dinheiro quando milhões de consumidores descobrissem que seus DVDs comuns ficavam péssimos nas TVs de alta definição. Certos disto, puseram um alto preço para quem quisesse licenciar uma licença de uso do Blu-ray para inclui-lo em seus filmes. E isto afugentou ainda mais os consumidores. Por um lado, os grandes estúdios, que têm condições de pagar as altas taxas, precisam repassar o preço para os discos, aumentando demais seu preço. No outro extremo, os pequenos produtores, responsáveis pela maior parte dos filmes, não conseguem pagar os altos preços exigidos pela associação. Para condimentar ainda mais este prato indigesto, o consumidor não está ligando a mínima para ter um vídeo de alta resolução.

Analisemos o lado do consumidor, e porque ele não vê o Blu-ray com bons olhos:
  • Os discos graváveis não reproduzem bem em todos os aparelhos Blu-ray, assim não dá para fazer cópias para distribuir para os amigos.
  • As empresas que reproduzem discos Blu-ray industrialmente cobram US$ 20 (nos EUA) por cada unidade, para encomendas de 300 ou menos unidades.
  • Nos EUA, a reprodução de um DVD ao estilo dos grandes estúdios, com capa e prensagem industrial custa muito pouco quando se atinge a casa das mil unidades: apenas US$ 3,50 por disco.
  • Programas de autoria de DVD profissionais, como o Sony Blu-print ou o Sonic Solutions Scenarist custam $40.000. Este tipo de programa é necessário para produzir vídeo em altíssima resolução.
  • O sistema de “proteção” dos Blu-ray - que já foi devidamente quebrado pelos piratas - custa pelo menos US$ 3.000 por projeto, numa taxa fixa, mais US$ 0,04 por disco produzido. E aí começa o problema: qual é a definição para “projeto”?
  • A Blu-ray Disc Association cobra mais US$ 3.000 ao ano do produtor que deseja usar o logotipo do Blu-ray na embalagem dos seus vídeos. Por isto tudo é que não se vê muitos logotipos da associação por aí. Os pequenos produtores não conseguem pagar esta taxa, e fazem suas próprias indicações de que o disco é compatível com o Blu-ray.
  • Os dirigentes do padrão Blu-ray, como parte dos grandes estúdios de Hollywood que são, parecem estar presos ao passado. Só que hoje as coisas são diferentes, avanços como a internet e o computador pessoal mudaram totalmente o cenário. Hoje ninguém precisa comprar uma mídia de CD ou DVD para escutar uma música ou ver um filme.


Uma estratégia que olhasse para o futuro deveria incluir:
  • O reconhecimento de que os consumidores não precisam do Blu-ray, ao menos por alguns anos. Claro que ele é um avanço desejavel, mas precisa ter seu preço ajustado.
  • A aceitação de que o capital investido no Blu-ray foi perdido. Desta forma eles poderiam começar a pensar com mais clareza em maneiras de aumentar a penetração do Blu-ray no gosto dos consumidores.
  • Entender que o consumidor médio provavelmente pagaria um pouco mais por um reprodutor de Blu-ray desde que ele tivesse preço final comparável com os reprodutores de DVD convencional que fazem a reamostragem do vídeo tornando-o compatível com as TVs de alta definição. Infelizmente, a maioria dos reprodutores Blu-ray atuais são bem ruinzinhos: lentos, com poucos recursos, e caros.
  • Compreender que as margens de lucro dos discos Blu-ray não podem ser maiores do que os DVDs comuns. Talvez devessem ser até menores, para ajudar na popularização.
  • Ver o óbvio: apenas grandes volumes de venda podem trazer os recursos necessários para desenvolver e criar vontade no consumidor de abandonar sua antiga coleção de filmes e se bandear para um novo formato, desde que este tenha preço acessível e seja compatível com o que existe hoje.
E o uso do Blu-ray como mídia de backup e transporte de dados? Está sofrendo do mesmo problema que os vídeos. Além de ser tudo bem mais caro que os DVDs, não existe garantia de que uma mídia gravada em um aparelho vá ler corretamente em outro. Imagine que você vai fazer uma viagem para uma filial de sua empresa, e leva todos seus programas e arquivos numa mídia Blu-ray. Chegando lá, percebe que seu disco não pode ser lido e que terá que pedir nova cópia dos arquivos...

Deve haver bons cérebros na administração do Blu-ray e talvez esta situação seja diferente daqui a algum tempo. Mas, por enquanto, o melhor mesmo é esperar a poeira abaixar e ficar com nossos DVDs tradicionais. Eles, por enquanto, são bons o suficiente – e bem mais baratos.

E teremos mais lances desta briga em breve. O próprio DVD, apesar de fortemente estabelecido no mercado, está com suas vendas em baixa. Também pudera, quantos consumidores são corajosos – ou ricos – o suficiente para entrar numa loja e gastar mais de R$ 50 num DVD de um filme que ele pode adquirir por R% 5 no camelô da esquina, ou então baixar de graça pela Internet? Claro, a qualidade pode não ser a mesma mas... será que isto realmente é importante?

Publicado em 15/11/2008 às 00:00 hs


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