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A questão do emprego versus faculdade versus sucesso profissional

Muita gente que pretende ganhar bem pensar logo em fazer faculdade e arranjar um bom emprego. Mas será que é assim mesmo? Faculdade é sinônimo de bom emprego? Será que não existem alternativas? Acompanhe esta nossa reflexão.

Honoré Balzac, o grande escritor francês, já havia escrito vários livros. Era o mais lido em Paris e suas obras faziam sucesso pelo mundo afora. A essa altura da vida sua mãe lhe disse:

— “Você não nasceu para escrever. Porque enfiou essa idéia na cabeça? Você deveria ter um emprego regular e receber um salário, ao invés de viver cheio de dívidas e ser insultado nos jornais e pelos críticos”

Se Balzac tivesse ouvido sua mãe, hoje a literatura não teria “A Comédia Humana”, porém haveria um empregado a mais nas empresas francesas. Ele não teria escrito mais de vinte livros, não teria viajado o mundo todo tantas vezes, não teria mudado para melhor a vida de tanta gente. Teria me limitado a trabalhar para viver e viver para trabalhar como as legiões de empregados infelizes, sem motivação, que viveram e morreram sem nunca saber a que vieram ao mundo. Quando envelhecesse estaria pobre e doente, como em geral estão os empregados nessa fase da vida, ansiando por uma aposentadoria que, longe de ser libertadora, constitui o prenúncio do fim.

Você pode estar se perguntando: ora, se a instituição do emprego é nociva por que nossos pais nos aconselham a sermos empregados? Pior que isto: eles nos doutrinam, pressionam e, muitas vezes, obrigam a esse destino “desafortunado” e sem perspectivas.

Conscientize-se desta realidade humilhante. Um amigo pergunta: — “O que o seu filho faz?” E o pai tem que responder: — “Ele é um empregado.”

Numa situação assim embaraçosa, é normal que esse pai continue sua explanação e justifique:
— “Mas ele está muito bem, e trabalha numa grande empresa.” Nas entrelinhas, ele está dizendo o seguinte:
— “Com sorte e se trabalhar direito, dentro de vinte anos ele poderá estar ganhando bem, se não for despedido antes.”

É o mesmo que o pai de um escravo no Império Romano estivesse respondendo:
— “Meu filho é escravo. Mas ele está muito bem. Trabalha para um rico senhor, muito conceituado.”

E se o filho ou filha deseja procurar um caminho melhor, pode significar a isntalação na casa de um clima de tragédia e tortura psicológica. Mas os pais não querem justamente o bem dos seus filhos?

Claro ue sim. Só que, por formação e falta de informação, acham honestamente que o melhor é ser empregado. Acompanhe esta seqüência de pensamentos:

PRIMEIRO PARADIGMA: O SISTEMA DE ESCRAVAGISMO

Até onde se sabe, na história da humanidade nos últimos milênios e até o final do século XIX, o escravagismo era um princípio aceito e praticado por quase todos os povos. Pode-se declarar, então, que a humanidade sempre explorou a escravatura e que a supressão dela no século XX foi um pequeno alívio na situação, talvez o antecessor do “politicamente correto”.

O escravagismo era considerada uma prática natural, pois se não fossem os escravos, quem construiria as grandes obras e quem trabalharia nas residências? O trabalho escravo parecia ter todas as vantagens e sempre contou com a aprovação dos religiosos. Mesmo pessoas tidas como bondosas e inteligentes não viam nada demais em ter escravos.

SEGUNDO PARADIGMA: A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Na ocasião da abolição da escravidão no mundo, isto no século 19, ocorreu um evento formidável que foi a revolução industrial. A maior parte das nações e todos os intelectuais, repentinamente, despertaram da sua letargia e declararam-se contra a escravidão. A nova onda era o emprego!

O que eles não confessaram – talvez nem se tenham dado conta – é que a legião de empregados era apenas uma leve adaptação do sistema de escravagismo. Ninguém quis reconhecer que a instituição da mão de obra descartável beneficiava a todos, menos aos empregados que eram explorados para que o sistema se mantivesse em movimento.

Sem a massa anônima de empregados, as indústrias não funcionariam; o comércio entraria em colapso; e os serviços... quem os faria? Portanto, o melhor sempre foi usar um tapa-olho e enxergar só a metade que convinha à sociedade.

Nessa ótica, os empregados são como os soldados de um exército. Os generais sabem que os soldados estão ali para ser sacrificados. Antes de uma batalha são avaliadas as expectativas de baixas — 30%, 50%, 70% — mas o fato é que a batalha precisa ser ganha. Para a instituição militar, se o comandante tivesse pena de enviar seus comandados para a carnificina, estaria subvertendo o Sistema e seria, ele próprio, sacrificado.

Na instituição do emprego é a mesma coisa. Os empregados ganham mal, são humilhados, contraem doenças e vivem na instabilidade, já que a qualquer momento podem ser demitidos. E o serão, indiscutivelmente. Todo empregado já esteve desempregado e sabe que o estará outras vezes. Então, por que nossos pais nos empurram para esse destino impiedoso? Porque toda a sociedade tem que ser condicionada, mediante uma verdadeira lavagem cerebral sistemática, a considerar que a única opção é ser empregado.

É a mesma coisa que acontece com o militarismo. É melhor achar bonito um batalhão marchando ao som de hinos marciais, com seus uniformes e armas poderosas. É melhor louvar o heroísmo e transformar os mortos em heróis. Porquanto, se questionássemos isso, o que poríamos no lugar? Como garantiríamos a soberania nacional? Como defenderíamos nossos lares?

Assim, os pais acabam mandando os filhos para o sacrifício do emprego. Um verdadeiro holocausto, achando que é para o bem deles. E pode não ser. É para o bem da sociedade, que se nutre das vidas dilaceradas de tantos jovens que são obrigados a humilhar-se por um salário ofensivo, em um emprego sem segurança. Mas, se não tem segurança, por que nossos pais aplicam o chavão “a segurança de um emprego”?

As empresas demitem. Você sabe que se for demitido com mais de trinta anos de idade será difícil conseguir outra colocação. Com mais de trinta e cinco será quase impossível. Existem muitos profissionais capacitados e experientes, com vários diplomas, que levam anos para conseguir um emprego. Por que ocorre isso?

Primeiro, porque o sistema propaga o emprego como ideal de vida. Todos os anos os cursos técnicos e as faculdades despejam milhões de recém-formados no mercado de trabalho. Isso cria uma oferta maior que a procura, o que desvaloriza o profissional e o obriga a aceitar condições indignas.

Segundo, porque um recém-formado tem mais entusiasmo. Dedica-se mais, exige menos regalias e aceita um salário mais modesto. Tudo isso porque ele é jovem, cheio de esperanças, está ali para vencer e quer tomar o lugar dos mais antigos.

Como vantagem adicional, tendo sido formado mais recentemente, deve estar mais atualizado. Quem você acha que o empregador vai preferir? O veterano que tem quase dez anos de casa, está mais velho, mais acomodado, já tem família, precisa ganhar mais, exige regalias e não aceita certas tarefas nem hora extra. Quem você acha que o empregador vai preferir? Isso mesmo. Qualquer um escolheria o mais novo. A tão propalada segurança do emprego é uma balela.

TERCEIRO PARADIGMA: A OBSOLESCÊNCIA DA RELAÇÃO PATRÃO/EMPREGADO

Neste nosso século XXI já se pode afirmar que o conceito de emprego e a relação patrão/empregado estão obsoletos. Ainda vão durar muitos anos, pois a mudança de paradigma demora muito para ocorrer. Contudo, hoje já existem plenas condições de sucesso para os jovens que optarem por carreiras não convencionais. Aliás, é onde se encontram as maiores e melhores oportunidades. Neste contexto, fazer faculdade é fundamental, mas só para quem quer ser empregado. Para os outros, a faculdade pode ser, simplesmente, “importante”.

Acontece que toda a sociedade está estruturada para produzir um contingente humano que constitua força de trabalho. Por isso, desde pequenos sempre escutamos:
— “Você tem que estudar para conseguir um bom emprego.”
Tudo gira em torno disso. Emprego para o homem e casamento para a mulher.
Até parece que estamos escrevendo no início do século passado! No entanto, as coisas continuam assim.

Antigamente, poucos tinham o privilégio de estudar. O diploma era cobiçado. Os tempos mudaram, não obstante, ainda hoje é assim, especialmente para aqueles que não puderam estudar na época em que ter diploma era chique. Naquela época era um diferencial. Hoje todo o mundo tem diploma. E ele não vale mais tanto assim. Foi banalizado.

Quem cursa uma faculdade “para conseguir um bom emprego” vai ficar desempregado se não fizer uma pós-graduação no exterior, mestrado, doutorado, especializações, etc. Isso custa caro. Custa tempo. Anos verdes de vida, anos preciosos de início de carreira na juventude. Quando o brilhante e esforçado estudante consegue ingressar no mercado de trabalho terá perdido tanto tempo que jamais aprenderá a ganhar dinheiro, como o aprenderam aqueles que, sem diploma algum, começaram a trabalhar em tenra idade.

Estaríamos pregando que os jovens deixassem de estudar? De forma alguma. Mas defendemos o direito de quem quiser estudar para ser empregado numa carreira comum, que o seja; mas, por outro lado, que respeitemos a liberdade de escolha de quem quiser seguir uma carreira nova, criativa, inusitada, que o realize e gratifique mais. Ainda que seja a de saxofonista, instrutor de natação ou, no nosso caso, de técnico de informática!

A informática muda tanto, a toda hora, que fica difícil para os cursos regulares nas universidades conseguir formar profissionais. Por isto é que a maioria dos bons profissionais da área se formam mesmo é no duro, lendo, pesquisando, testando...

Por isto, se você gosta de informática e quer viver disto, lembre-se: faculdade é importante, sim. Obter certificações variadas, também. Mas não confie muito que você vai conseguir um bom emprego, as coisas estão mudando e só vai sobreviver quem tiver jogo de cintura, bons relacionamentos e souber trabalhar em equipe.

Publicado em 29/08/2008 às 00:00 hs


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