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Google adquire Motorola e pode virar o jogo com a Apple e seus iPads e iPhones

Por Iberê M. Campos equipe

O mercado de tecnologia e o mundo dos negócios foram pegos de surpresa em agosto de 2011, quando a gigante Google comprou a igualmente grande divisão de dispositivos móveis da Motorola, um dos mais tradicionais fabricantes de telefones do mundo. A aquisição muda muito no panorama atual e futuro de todos nós, usuários não só de telefones mas também de computadores portáteis, especialmente os no formato “tablet” cujo representante mais famoso é o iPad da Apple. Mas porque exatamente esta compra foi feita, o que está por trás de tudo isso e o que podemos esperar? É isso o que analisamos a seguir:

Foi um grande investimento feito pelo Google, que desembolsou nada menos que 12,5 bilhões de dólares em dinheiro para adquirir o setor de dispositivos móveis da Motorola, uma empresa enorme, famosa e respeitada. O valor foi acima do que valeria a empresa, segundo os analistas financeiros, mas a Google deve ter pago com um sorriso nos lábios, digamos, pois vai colocar as mãos num inventário fabuloso de produtos e, principalmente, de patentes.

Para começar a entender o que está por trás disso precisamos comentar um ponto importante. Desde o início de 2011 a Apple, escorada no sucesso de seu iPhone e iPad, vem processando fabricantes de telefones e tablets em todo o mundo, com especial predileção pela Samsung, que vem fazendo muito sucesso com sua linha de smartphones e de tablets feitos com base no sistema operacional Android, que é de código-fonte aberto mas que é bancado financeira e tecnologicamente pelo Google. A Samsung já foi impedida judicialmente de vender seus produtos baseados no Android em vários países, mas a situação na Alemanha e na Austrália está particularmente complicada, pois a Apple vem conseguindo seguidas vitórias nesses países que poderão abrir um precedente jurídico importante para impedir não só a Samsung mas todas as outras empresas de fabricarem qualquer produto que lembre um iPhone ou iPad. A Apple alega que os aparelhos concorrentes copiaram o “look and feel” de seus produtos, ou seja, a “cara e o jeito” de suas invenções, sem falar de centenas de outros itens da tecnologia empregada. A Samsung contra-atacou reinvidicando que a própria Apple usou tecnologia patenteada pela Samsung em seus produtos, sem pagar os devidos royalties.

A situação jurídica ficou complicada, sem perspectiva a curto prazo até porque a Apple vem despejando toda a competência de seu corpo de advogados e bilhões de dólares nesta batalha para defender seus interesses corporativos. Nesta guerra de gigantes, todo mundo que começou a fazer produtos com base no Android começou a se perguntar que tipo de proteção jurídica a Google poderia oferecer-lhes, e muitos ameaçaram até a deixar de fabricar seus aparelhos com base no Android com receio da retaliação jurídica da Apple que, mesmo que não dê em nada, atrapalha muito a vida das empresas afetadas pois ficam com seus projetos paralisados enquanto gastam muito dinheiro com advogados.

A questão do Android é vital para o Google, pois este sistema operacional é a chave para muitas de suas iniciativas futuras, como o domínio da “nuvem”, aplicativos ultraleves que rodam pela internet em qualquer tipo de dispositivo computadorizado,portátil ou não. O Android também é importante para o Google pelas parcerias com outras empresas de peso, como a coreana Samsung, a chinesa HTC e as grandes operadoras de celular no mundo todo.

A resposta da Google à movimentação da Apple veio firme e forte. A compra da divisão móvel da Motorola, mesmo pagando mais do que valia no momento, coloca a Google numa posição muito confortável, virando o jogo pesado movido pela Apple a favor da própria Google. Para entender a situação, é preciso saber que a Motorola é detentora de milhares de patentes fundamentais para o setor de telefonia, além de toda uma vasta propriedade tecnológica e intelectual que veio de brinde com a aquisição. Só para se ter uma idéia, a Motorola é dona de 17.000 patentes já concedidas e outras 7.000 em andamento, só na área de telefonia, um patrimônio nada desprezível.

A Motorola já era uma parceira fundamental para o Google, com sua linha de smartphones baseados no Android, e a Motorola também é importante na futura linha de internet móvel padrão 4G, junto com a Verizon Wireless LTE. Fora isso, a Motorola desenvolveu o primeiro tablet que realmente se parece com o iPad em termos de funcionamento, que é o Xoom.

Mas tem muito mais coisa importante que leva o nome Motorola e que agora passou a ser do Google. É que foi a Motorola quem inventou o negócio de telefones celulares. Décadas antes do aparecimento dos celulares, os carros americanos já tinham telefones Motorola a bordo, algo muito visto em filmes das décadas de 70 e 80, porque a empresa foi a primeira a fazer telefones celulares que funcionavam, mas precisavam ir dentro do carro pois ainda eram pesados e consumiam muita energia. Além do tradicional rádio AM/FM, as demais antenas que se via nos carros americanos dos anos 80 estavam lá para usarem telefones celulares Motorola. Mas a história da companhia começa muito antes disso, nos dias dos primeiros rádios usados pelos policiais americanos, passando pelos primeiros telefones móveis que se comunicavam em ondas curtas (um tipo de freqüência de rádio de longo alcance).

Porque esta lição de história? É simples: a Motorola é dona de muitas patentes básicas dos telefones móveis. A Motorola fazia telefones móveis até mesmo antes que a Apple existisse. Assim, quando o Google bateu o martelo na compra da Motorola, adquiriu um portfólio de patentes que é tão básico que toda e qualquer empresa que vende um telefone celular precisa obter licença para usar as patentes da Motorola. Este fato, por si só, já liquida definitivamente a batalha judicial movida pela Apple contra o Android e as empresas que o usam, simplesmente porque a Apple não pode se dar ao luxo de perder o direito de usar estas tecnologias básicas se for proibida de usar as licenças da Motorola. Isto não fará que o Google assuma a liderança do mercado de telefonia móvel, mas pelo menos vai permitir que a empresa possa competir de igual para igual não só com a Apple mas com qualquer outro fabricante de telefones, e vai oferecer aos fabricantes de dispositivos baseados no Android um confortável nível de segurança de que eles não irão de uma hora para a outra perder o direito de fabricar aparelhos baseados no Android e perder seus investimentos no setor.

A aquisição da Motorola também pode dar um basta na ânsia da Apple em controlar toda e qualquer patente no planeta, nos menores detalhes, simplesmente porque há muito o que perder se continuar assim. Mas, realmente, há muito mais coisa envolvida do que simplesmente centenas de patentes. A compra também coloca o Google imediatamente na posição de poder fabricar seus próprios telefones e tablets, da mesma forma que a Apple faz com seus produtos. Mas, provavelmente, a Google precisará usar abordagens diferentes, pois a Apple controla todos os aspectos do design, preços e distribuição, enquanto que com o Android qualquer fabricante pode entrar na competição.

Não parece ser certo que a Google siga os passos da Apple e mantenha o Android só para seu uso. O que nos parece ser o caminho mais provável é que o Google utilize os recursos da Motorola para desenvolver o Android aos limites, de forma a demonstrar para os outros fabricantes tudo o que é possível de ser feito com o Android, em termos de integração completa entre software e hardware, tal como a Apple sempre fez ao longo de toda sua vida.

Pela ótica do Google, o melhor de tudo é que a Motorola é famosa por fazer hardware de boa qualidade, ou seja, não será preciso começar do zero no mercado de smartphones, o que poderá ser uma vantagem e tanto. Primeiro, porque transformará a Motorola num fornecedor de dispositivos bem fabricados e integrados ao software e ao mercado de aplicativos do Android. Além disso, proporcionará aos fabricantes e suportadores do Android um caminho para expandir-se em mercados onde a Apple ainda não entrou para valer e talvez nem pretenda entrar, como é o caso dos países em desenvolvimento (Brasil inclusive).

Neste exato momento o iPhone e o iPad são equipamentos para as elites. São aparelhos caros para a maioria das pessoas, símbolos de status e poder econômico, mesmo que nem seja tão bom assim no uso diário. Nos Estados Unidos e na Europa ocidental, o alto valor da compra é diluída com descontos e promoções que tornam a aquisição não tão pesada assim, mas no restante do mundo é preciso desembolsar no mínimo US$ 1.000 para ter um iPhone básico. O plano de dados e telefonia 3G varia muito de país para país, mas nunca é barato e pesa no orçamento.

No lado oposto, os telefones com Android estão sendo oferecidos por preços muito mais baixos que os da Apple, e geralmente não requerem um plano de telefonia tão caro quanto do iPhone. Considerando que o mercado de telefonia é global, se a demanda ocorre num país deverá também ocorrer nos demais, não apenas nos lugares onde o poder aquisitivo é maior ou onde a Apple tem maior força legal, e isto abre um campo enorme para a venda de smartphones e tablets com Android.

Em resumo, a compra da Motorola pelo Google abre um enome mercado global para dispositivos Android que vai conquistar ainda mais consumidores do que esse sistema operacional já tem. O Android já ultrapassou a Apple e é o líder de mercado nos smartphones, mas as empresas fabricantes estavam receosas de ter que enfrentar os advogados da Apple numa batalha sem fim. Agora, se o Google desejar fabricar dispositivos com Android, poderá doar seus direitos ou cobrar alguns poucos dólares por cada aparelho vendido, constituindo-se assim numa alternativa atraente, muito mais do que a dupla recém formada, Nokia e Microsoft. Se a Google quiser poderá até vender um tablet com Android por preços muito, muito abaixo de um iPad. Ela poderá fazer isto num piscar de olhos. Claro que tudo isto é especulação, nesta altura do campeonato, mas o fato é que a divisão de telefones móveis da Motorola detêm patentes básicas e fundamentais do setor, além de ter uma tecnologia de fabricação de telefones que farão muita diferença para quem deseja entrar para valer na competição com a Apple e sua linha “i”. Pelo visto, a compra da Motorola foi um golpe de mestre para tolher as pretensões monopolistas da Apple...

Publicado em 17/08/2011 às 00:00 hs


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NOSSOS LEITORES JÁ FIZERAM 1 COMENTÁRIO sobre este artigo:
De: Eugenio (em 03/10/2011 às 16:28 hs)
Google adquire Motorola
A qualidade do que pude observar neste artigo realmente é digno de nota, afinal tudo foi explicado e justificado em seus mínimos detalhes. Assim, quero parabenizá-los, não só pelo conteúdo, mas também pela didática e dissertiva. Eugenio

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