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12 enganos que a Microsoft cometeu com o Windows 8


Este artigo está sendo escrito 1 ano depois do surgimento da primeira versão do Windows 8 e a um mês do lançamento do Windows 8.1. É uma boa hora de parar para pensar e nos perguntar: o que deu errado com o Windows 8? Sim, algo deve ter saído errado, pois um sistema destinado a revolucionar o mercado de PCs e tomar o lugar do Windows XP e do Windows 7 deve ter algo em comum com o Windows Vista, um dos maiores fracassos da Microsoft até então. Uma coisa podemos afirmar com certeza: o Windows 8 não foi tão bem quando a Microsoft gostaria. Prova disto é que, menos de 1 ano depois do lançamento, aparece uma nova versão (8.1) e não um Service Pack, como seria de se esperar. Será que o Windows 8 foi um fracasso de mercado, ou será que o Windows 8 não foi tão bom que fizesse os usuários esquecerem do Windows 7? Porque será que o chefão da divisão Windows pediu demissão sumariamente só 1 mês depois do lançamento do Windows 8, e porque será que o presidente da Microsoft pediu para sair 1 ano depois?

Se admitirmos que o Windows 8 foi fracasso, qual seria a causa? Teria uma causa grande ou seria um conjunto de pequenos enganos? Em minha opinião, prefiro ficar com a segunda opção. Acho que o Windows 8 foi vítima de uma uma somatória de enganos. Estes tiveram origem num complexo de superioridade, ligado a uma visão distorcida do mercado, e inveja de concorrentes melhor sucedidos como Apple e Google. Estas duas empresas vêm ganhando mais dinheiro do que a Microsoft, à partir de boas idéias e não de uma presença pesada no mercado. Digo isso porque a Microsoft vinha abusando de seu enorme tamanho e importância, e fez isso nos últimos 20 e tantos anos de predomínio absoluto em tudo o que se entendia até então como “informática”.

Só que as coisas mudaram e a Microsoft se agigantou. Desde 2002 (quando saiu o Windows XP) não tem mostrado capacidade de gerência para lançar produtos inovadores e antenados com as novas necessidades das pessoas que vêm sucessivamente abandonando os sistemas Microsoft e migrando para produtos da Apple (iOS e MacOS) e do Google, com seu onipresente Android. O Windows 7 foi um grande sucesso, mas só depois que a empresa juntou os pedaços, se recompôs e lançou em tempo recorde (até então) o sucessor do malfadado Windows Vista, um dos maiores exemplos de erro causado por excesso de complexo de superioridade junto à uma incompetência gerencial que não conseguiu coordenar os esforços técnicos com os vendedores de hardware e aos anseios dos clientes.

Quais seriam, então, estes pequenos (ou grandes) erros que levam a Microsoft a lançar um novo Windows apenas 1 ano depois da versão anterior? Analisemos ponto por ponto:

1 - O Windows 8 chegou num momento impróprio

O programa de testes do Windows foi um grande sucesso. Os engenheiros e designers foram juntando as partes rigorosamente dentro dos prazos previamente estabelecidos, e a versão RTM (Release to Manufacturing, ou seja, mande para a produção em massa) ficou pronta em 1º de agosto de 2012. Com isto, os fabricantes de computador tiveram 3 meses para aprontar seus PCs e notebooks para preparar-se para as vendas de final de ano, que é um grande evento de vendas nos Estados Unidos e na Europa. Havia uma grande esperança no ar, pois as vendas de PCs vinham caindo continuamente ano após ano, e o Windows 8 era visto como a salvação dos lucros perdidos. Mas as coisas não saíram exatamente desta forma. O lançamento do Windows 8 em Nova Iorque foi muito bem, mas depois de alguns dias ocorreram duas catástrofes: o furacão Sandy e a saída de Steven Sinofsky , até então o todo poderoso dirigente da divisão Windows da Microsoft. Mês após mês, foi ficando claro que o Windows 8 tinha chegado num momento de virada de mercado na indústria dos PCs, com os consumidores fugindo dos computadores convencionais e indo em busca dos tablets, smartphones e outros dispositivos móveis. Em teoria, o novo sistema operacional da Microsoft tinha antecipado esta mudança, mas na prática ele não se mostrou uma boa solução ou, pelo menos, foi uma solução que não conseguiu muito entusiasmo por parte dos consumidores. Porque teria isto acontecido?

2 - Suposições erradas nas mudanças que viriam a ocorrer nos micros desktop

Nas versões Beta do Windows 8 havia a possibilidade de não entrar direto no Menu Iniciar e ir para o desktop, que é o modo tradicional do Windows. Mas na versão final este recurso foi retirado e o Windows 8 entra direto no Menu Iniciar, ficando o desktop tradicional como se fosse um aplicativo do Menu Iniciar. Este é um fator que assustou (e afastou) muitos dos usuários tradicionais do Windows e criou uma antipatia natural. É a mesma coisa que uma pessoa sair de viagem e enquanto está fora alguém reforma toda sua casa, mudar as cores e troca o mobiliário, quando a pessoa volta vai notar que a casa é a mesma, mas o seu lar foi desfeito...

Na versão 8.1 o desktop como opção de login retornou, então o que se pergunta é porque esta opção foi retirada no Windows 8. Muitos analistas foram tomados de surpresa com o desktop em segundo plano no Windows 8, até porque a Microsoft havia sido advertida pela maioria das pessoas que fizeram o beta teste de que o Menu Iniciar não era assim tão bom, e seria melhor continuar dando ênfase ao desktop. Mas a Microsoft teimosamente (alguns diriam arrogantemente) ignorou o aviso e deu todo o destaque para o Menu Iniciar na versão do Windows 8 que foi para as lojas.

Nessa altura dos acontecimentos, só podemos fazer conjecturas sobre qual teria sido a reação dos consumidores frente ao Windows 8 se a Microsoft tivesse mantido a configuração tradicional do desktop, mesmo que fosse como uma opção. Quem poderia saber o que teria acontecido? Minha aposta: nada. Nada teria acontecido, pois a Microsoft não “escondeu” o desktop do Windows 8, mas tirou também a interface Aero que tanto sucesso fez com o Windows Vista e continuou com o Windows 7. Alguém que veja, lado a lado, um computador rodando o Windows 7 e outro rodando o Windows 8, seja em modo Iniciar ou modo Desktop, percebe claramente como é pobre o visual do Windows 8 em comparação à riqueza de detalhes e de efeitos do Windows 7. Sem dúvida, o Windows 8 roda bem em hardware inferior ao necessário para o Windows 7, mas isso no mundo dos PCs significa muito pouco. Talvez nos dispositivos portáteis, a melhor performance do Windows 8 renda algo em termos de permitir processadores mais fracos e menor consumo de bateria, mas no desktop o visual do Windows 8 é bem fraquinho...

3 - Aposta errada nos tamanhos e formatos dos tablets

É interessante relembrar que o desenho inicial do Windows 8 começou em 2009, um ano depois que o iPad foi lançado e dominou o mercado que ele mesmo criou. O projeto do Windows 8 iniciou com a visão de que um tablete não passava de um PC sem um teclado. O resultado inevitável destas concepção de design é um dispositivo feito para trabalhar, preferencialmente, com a tela em modo deitado, como nos PCs atuais. O problema é que muitas das coisas que as pessoas fazem com um tablete são melhores feitas com a tela em pé, e esta é uma mudança importante em termos de design das telas.

A fixação da tela no formato 16:9 foi um erro óbvio desde o primeiro dia de desenvolvimento do Windows 8, assim como foi uma grande falha a adoção do princípio de que o Windows 8 deveria ser voltado principalmente para as telas pequenas, como as dos smartphones e tablets. Daí o uso de ícones gigantes, que ficam ridículos nas telas grandes em uso atualmente, de 21,5 polegadas e maiores. O Windows 8 chegou num mercado que já tinha adotado o iPad em tamanho de 10 polegadas em pé, e estava querendo dispositivos menores, mas ainda com a tela em pé. Agora, um ano depois, o Windows 8.1 finalmente vai oferecer suporte a estes dispositivos, mas já se passaram 12 meses num mercado tão competitivo que este tempo equivale a uma eternidade.

4 - Poucos aplicativos para a nova plataforma

A grande vantagem do sistema Windows é a enorme quantidade de aplicativos disponíveis para a plataforma, que se contam na casa dos milhões. A Microsoft parece ter esquecido deste detalhe e o Windows 8 deu uma esnobada nesta grande vantagem, forçando a criação de um novo ecosistema de aplicativos baseados na nova interface configurada pelo Menu Iniciar. O problema é que já existiam outros ecosistemas similares e muito bem entrincheirados, que são o iOS (da Apple) e a loja virtual do Android, do Google. Assim, a aposta da Microsoft em que os desenvolvedores de softwares sairiam correndo para criar aplicativos para o novo Windows acabou dando errado. A própria Microsoft não teve muito sucesso, ela que seria a grande competidora neste mercado.

Os primeiros aplicativos que seriam oferecidos para a nova interface do Windows 8 seriam, obviamente, aqueles oferecidos pela própria Microsoft. Só que eles eram bem fraquinhos, especialmente aqueles em categorias chave para definir a experiência do “mundo tablet” -- música, fotografias e email. Alguns destes aplicativos parecem ter sido “juntados à força” para compor o novo Windows. Fora isso, existiam algumas falhas grotescas como, por exemplo, o limite máximo de 10 orelhas simultâneas no Internet Explorer quando este estava rodando dentro do menu Iniciar.

5 - A loja de aplicativos não empolgou os desenvolvedores

Se a própria Microsoft tinha problemas para desenvolver aplicativos dentro de casa, o que dizer dos desenvolvedores externos? Tinham muito menos condições, é claro, e a esmagadora maioria deles preferiu continuar desenvolvendo aplicativos para o ambiente Desktop do Windows ou para as plataformas iOS e Android. A Microsoft falhou em convencer a comunidade de desenvolvedores que a plataforma Menu Iniciar seria lucrativa e dominante.

Quando do lançamento e alguns meses depois, só alguns jogos de relevância estavam disponíveis na Windows Store. O Twitter só lançou um aplicativo oficial em março de 2012, mais de quatro meses depois do lançamento do Windows 8, mas um ano depois do lançamento do Windows 8 Facebook e Flipboard ainda estão prometendo seus aplicativos específicos. Se for feita uma pesquisa na Windows Store com o termo “Facebook”, aparecerão mais de 1.600 entradas (*em agosto de 2013) mas nenhum deles é o aplicativo inicial. Também não estão lá sistemas populares como Pandora, Words with Friends e do Google. Porque esta falta de interesse? Simples, é a regra básica do capitalismo em ação, os desenvolvedores devem estar pensando “Bem, faremos aplicativos quando existir mercado para eles...”. E enquanto isto, o mercado não é criado porque não existem produtos para ele. Uma grande parte do problema dos desenvolvedores é que os desenvolvedores de software não precisam apontar o “lado tablet” do Windows 8 e simplesmente dizer para seus clientes “use este sistema ao invés de outro qualquer”. Até porque existe uma grande exceção, um grande desenvolvedor que não portou seu aplicativo para o “Menu Iniciar”, que é a própria Microsoft com o seu Office.

6 - Os consumidores ainda não entenderam os benefícios das telas sensíveis ao toque (se eles existirem)

Com o Windows 8, ficou bem claro que a Microsoft visou o mercado de tablets e smartphones, tentando entrar em competição direta com a Apple. Mas esta empresa, com mais de 3 anos dominando o mercado, já percebeu e definiu alguns parâmetros como, por exemplo, o papel das telas sensíveis: toque é só para os tablets e smartphones, não para os dispositivos do tipo “PC”, como micros de mesa e notebooks. Como resultado, pode-se usar os dedos como o único método de controlar um iPad, mas nos Macs os gestos trabalham apenas nos mouse tipo “trackpad”, ou seja, sem contato direto com a tela. A Microsoft vem incentivando de todas as formas seus parceiros comerciais, produtores de hardware, a produzir notebooks e computadores com tela sensível ao toque, mas o aumento de custo nestes dispositivos e os benefícios oferecidos ainda não seduziram os consumidores. Pouca gente parece disposta a gastar algo como 50% a mais só para ter um notebook com tela sensível ao toque, sendo que pode controlar tudo a partir de um mouse ou trackpad, que inclusive em termos de ergonomia são muito mais confortáveis do que ter que esticar e levantar o braço para alcançar a tela.

7 - A Microsoft tomou caminhos muito diferentes

No design do Windows 8, o toque não era restrito apenas à interação via tablet. É também um método de entrada de comandos importante em PCs com tela sensível como notebooks e os micros do tipo tudo-em-um. Pode ser mais fácil dar uma “dedada” em um ícone na tela do que pegar no mouse, mover o ponteiro, apontar para o item e clicar no ícone. Percorrer um artigo longo na tela também pode ser mais fácil de ser feito movendo os dedos para baixo e para cima nas páginas. Um gesto de zoom com dois dedos pode tornar os textos pequenos mais fáceis de ler, e assim por diante. Mas se é assim, porque a maioria do material promocional da Microsoft para dispositivos com tela sensível ao toque insistem em mostrar recursos como a pintura com dedo? Porque não mostrou pessoas reais criando notebooks híbridos, mudando naturalmente entre o teclado, o mouse e a tela para dar comandos ao computador? Aparentemente, porque não existem tantos dispositivos assim no mercado, ou porque os consumidores não os desejam (ainda) ou... sabe-se lá qual foi o motivo da Microsoft não ter reforçado em seus esforços publicitários o recurso principal do Windows 8, que é justamente os recursos ligados às telas sensíveis ao toque.

8 - O hardware ainda não estava pronto para o Windows 8

Em 2012 a Microsoft e seus parceiros lançaram alguns aparelhos cujo design realmente merece destaque. Lenovo e Dell lideram o grupo, por terem lançado novos dispositivos com tela sensível ao toque cujo visor pode ser virado e colocado em posições as mais diversas. HP e Samsung, entre outros, lançaram micros portáteis que se transformam facilmente de um notebook para um tablet e vice-versa.

O problema é que a maioria destes dispositivos não estavam prontos em outubro de 2012, quando o Windows 8 foi disponibilizado para o público. Passaram-se meses antes que estes dispositivos inovadores estivessem disponíveis. Até mesmo o próprio lançamento da Microsoft, o tablet Surface, só chegou no mercado três meses depois do lançamento do Windows 8.

Neste meio tempo, os vendedores de PCs continuaram vendendo os laptops e desktops tradicionais que não eram o hardware mais adequado para o Windows 8, cujo maior mérito é a integração com as telas sensíveis ao toque. Para estas máquinas, o Windows 7 era e continua sendo a melhor opção, não é à toa que muitos consumidores compraram micros com o Windows 8 e fizeram um downgrade para o Windows 7.

9 - Crapware demais no Windows 8 deixam o sistema lento

No final dos anos 1990 um juiz norte-americano (Thomas Penfield Jackson) moveu uma ação anti-monopólio contra a Microsoft e, como um dos resultados, a Microsoft ficou com poder limitado de competição. Em particular, a empresa não podia mais conter as ações de seus parceiros comerciais, que transformaram o Windows pré-instalado nos computadores em uma grande vitrine de softwares para teste ou de demonstração, softwares estes que consomem inutilmente espaço em disco e recursos de hardware, transformando o Windows pré-instalado numa carroça quando comparado a um Windows da mesma versão, instalado no mesmo hardware, mas sem estes programas intrusos. Não é à toa que estes programas que acompanham o Windows de fábrica foram apelidados de crapware (software lixo).

Pouca coisa mudou no Windows 8, infelizmente, e este crapware continua a fazer parte do pacote que vem junto com quando se compra um computador novinho em folha. É normal que alguém compre um computador novo e gaste horas simplesmente desinstalando software desnecessário e que aborrece, pedindo a todo momento que se registre o programa (e pague, claro). Decididamente, este não é um cartão de boas vindas para um novo sistema operacional...

É claro que a Microsoft não pode, por lei, evitar que este lixo todo acompanhe os PCs. Mas poderia, por exemplo, colocar um aplicativo que retirasse do sistema todo e qualquer software que não faça parte do Windows, por exemplo, ou que facilitasse a remoção destas pragas.

10 - Decisões de marketing incrivelmente ruins

Em termos de estratégia de marketing, o nome Windows 8 pode ser perfeitamente aceitável para um sistema operacional, especialmente porque ele pretendia ser o sucessor do incrivelmente bem sucesido Windows 7. O problema é que a própria Microsoft tomou duas decisões que tiraram valor comercial da marca Windows 8.

A primeira foi a decisão de última de hora de abandonar o nome Metro para designar o novo design do Windows 8, caracterizado pelo Menu Iniciar e seus aplicativos que são incompatíveis com o desktop tradicional do Windows. Depois de gastar anos disseminando a marca Metro como o nome do novo visual do Windows, a Microsoft abandonou o nome e o substituiu por... nada. Agora, quando precisamos nos referir às diferenças entre os aplicativos que rodam no desktop tradicional e na nova interface, precisamos falar coisas como “programas que só rodam no Menu Iniciar”. Alternativamente, pode-se falar em interface Metro, mesmo que esta marca não esteja oficialmente designando a nova interface. Estranho, não é mesmo?

A segunda estratégia claudicante em relação à marca foi a questão do WindowsRT versus o Windows RT. O primeiro é uma coleção de APIs, o outro é uma marca de produto (o tablet da Microsoft). Fora isto, o tablet Surface, que parecia destinado a revolucionar o mercado, desapontou a grande maioria dos consumidores. Eles vinham em 2 versões, uma com oW Windows 8 RT, que gasta menos bateria mas tem pouquíssimos aplicativos porque não pode rodar os aplicativos Windows tradicionais, e o outra linha de Surface vinha com o Windows 8 normal, que podia rodar todos os aplicativos normais mas em compensação precisava de um hardware poderoso, sendo muito pesado para um tablet e gastando bateria tal como u notebook, mas sem os recursos deste, ou seja... Nem precisa comentar uma coisa desta. Quem foi o estrategista que bolou este tipo de coisa?!?!?

11 - Marketing sem foco e mal dirigido

Nos EUA, principal mercado do Windows, a Microsoft investiu muito num comercial que tornou-se memorável em 2012. Tinha vários adolescentes cantando, dançando e clicando nos seus tablets Surface com o Windows RT. Mas, ironicamente, não havia um anúncio especificamente para o Windows 8, e a maioria das pessoas ficava se perguntando do que, afinal, aquele comercial estava divulgando. Este é um pequeno exemplo dos problemas que a Microsoft está tendo para divulgar seus produtos e idéias, ou seja, não conseguiu passar mensagens claras, coerentes e consistentes sobre as vantagens do Windows 8 (se é que elas existem...). Ao mesmo tempo, a Apple tem uma vantagem enorme: vende apenas um iPad (ou dois, se contarmos o Mini Ipad), assim os seus comerciais são ao mesmo tempo vídeos de treinamento e demonstração dos cenários onde o iPad funciona melhor. Para tentar compensar, a Microsoft lançou uma série de comerciais da série “Compare”, tentando passar algum tipo de mensagem que fale especificamente da experiência de uso do produto, ao invés de passar idéias genéricas de felicidade e alegria. Não seria tarde demais? A Apple já tomou muito a dianteira...

12 - Confusão na cabeça do consumidor, que não sabe onde procurar informações

Antes do lançamento do Windows 8 a Microsoft lançou uma versão de avaliação, mas depois do lançamento do produto em outubro de 2012 a empresa teimosamente se recuou a incluir um help online ou um sistema de orientação fácil de usar, que orientasse os usuários a usar os recursos do Windows 8. Pelo que consta, a Microsoft se guiou pelos resultados dos testes e de telemetria (assistindo a movimentação dos usuários) para convencer-se de que as pessoas aprenderiam a usar o Windows 8 tão rápido e facilmente quanto um garoto aprenderia a andar de bicicleta.

Mas não foi bem assim.

Vários parceiros da Microsoft, incluindo-se aí HP e Dell, tentaram suprir o vazio desenvolvendo módulos de treinamento que foram incluídos no Menu Iniciar dos seus PCs novos. Mas a maioria das pessoas, que não compraram equipamentos destas marcas, tiveram que quebrar a cabeça para entender como o Windows 8 funcionava. E muita gente preferiu não entender coisa alguma, retirando o Windows 8 e voltando para o conhecido, confiável e velho conhecido Windows 7.

Em suma...

O que me parece é o seguinte: a Microsoft tomou caminhos obscuros com o Windows 8. Tentou jogar todo o peso da popularidade do Windows para criar uma nova classe de aplicativos, compatíveis com a antiga interface Metro, que acabou virando, digamos, o Menu Iniciar (por falta de nome melhor). Mas as pessoas não se interessaram pelos aplicativos para o Menu Iniciar, até porque tanto a Apple quando a Google já têm lojas com centenas de milhares de aplicativos que atendem perfeitamente àqueles que gostam de baixar programas só para experimentar e, de repente, até mesmo usar. Enquanto fazia este movimento arriscado, a Microsoft deixou de lado sua grande base instalada, constituída pelo literalmente milhões de programas que rodam muito bem no Windows XP e no Windows 7. Além disto, criou uma confusão generalizada, todo mundo fica se perguntando o que, afinal, é o tal do Menu Iniciar e a natimorta interface Metro.

Não por acaso, o chefão da divisão Windows, Steven Sinofsky, pediu demissão 1 mês após o lançamento do Windows 8. Teria sido mera coincidência? Acredito que não. O mais provável é que tenhamos assistido a um erro histórico, que está custando caríssimo para a Microsoft e que pode marcar um ponto de declínio na história da empresa. Pelo meu ponto de vista, o caminho está livre e aberto para a Apple e para o Google. Sim, parece que finalmente a Microsoft encontrou competidores à altura e, caso não consiga mudar de mentalidade, vai perder mercado rapidamente.

E os erros continuam, enquanto este texto estava sendo escrito, foi anunciado que a Microsoft estava comprando a divisão de celulares da Nokia, pela fortuna de 7 bilhões de dólares. Um pouco antes disto, o presidente executivo da Microsoft, Steve Balmer, anunciou sua aposentadoria e solicitou que o conselho da empresa indicasse um sucessor. Seria isso tudo uma simples coincidência? Ou estaria acontecendo algo muito sério dentro dos portões da empresa?

Minha opinião é a seguinte: a Microsoft vai continuar indo ladeira abaixo enquanto preocupar-se em imitar os sucessos da Apple e da Google, ao invés de escutar seus público e criar suas próprias coisas. Diante de tanta incompetência, digo que a empresa só não vai à falência porque é muito grande e muito, muito, muito rica. Se não fosse por isso...

Publicado em 19/08/2013 às 00:00 hs


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