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Brasil precisa remodelar seu sistema de internet em banda larga

O recente apagão da internet em São Paulo, quando milhões de usuários ficaram mais de um dia sem internet, nos leva a crer que é preciso repensar o sistema de acesso a internet em banda larga no Brasil. A legislação mal feita e o pequeno número de empresas que oferecem o serviço forçam os consumidores a pagar caro por um serviço lento, pouco confiável e sem alternativas.

No exterior cada vez mais cidades oferecem acesso à internet em banda larga wireless gratuitamente a toda a população. Aqui no Brasil, já existem cidades que também oferecem este serviço, que beneficia a todos. Claro, não é nenhuma maravilha de velocidade, mas atende bem aos serviços de emergência e para quem está só de passagem pela cidade ou , simplesmente, para quem não pode pagar por um serviço melhor.

Em termos de banda larga paga, no exterior, principalmente no oriente, são comuns conexões de 10 Mbps (10.000bps) e maiores a preços tão baixos quanto US$ 20 (cerca de R$ 35). Enquanto isto, os brasileiros são submetidos a tirania de 3 ou 4 empresas que monopolizam os serviços, manipulam a legislação e fazem o que bem entendem.

A legislação que controla o acesso em banda larga no Brasil foi feita há cerca de 15 anos, numa época em que o brasileiros mal conseguiam sequer falar no telefone convencional. Nesta ocasião, uma linha telefônica custava US$ 4.000 e um celular custava US$ 3.000. E que celular! Bem vagabundo, funcionava só de vez em quando, pesava quase meio quilo e para comprar era preciso entrar numa fila enorme ou então aderir ao câmbio negro.

Aí algum legislador muito esperto resolveu separar a “conexão” do “conteúdo” da internet, ou seja, o pobre do usuário precisava contratar a conexão de banda larga com uma empresa, e ainda precisava pagar uma outra firma que era a “provedora de conteúdo”, que nada mais fazia do que fornecer um endereço de e-mail para o consumidor.

Desde então este sistema já sofreu seguidas ações na justiça, pois configura claramente uma venda casada. Quem contrata a banda larga precisa obrigatoriamente contratar um outro serviço, em outra empresa.

Esta situação deu origem a inúmeras ações judiciais. Recentemente foi dado ganho de causa para os consumidores e as empresas de telefonia foram forçadas a liberar o acesso à banda larga mesmo para quem não quer contratar o famoso “provedor de conteúdo”. Mas foi uma vitória temporária, pois as empresas de telefonia conseguiram incluir na conta telefônica uma taxa de R$ 8,90 pelo famigerado “serviço” embutido nas conexões PPPoE via ADSL.

Como efeito colateral de tudo isto, muitas empresas começaram a usar este e-mail “de mentirinha” fornecido por este conluio entre governo, telefônicas e supostos “provedores”. Muita gente usa estes endereços como o principal endereço eletrônico de suas empresas, ficando ainda mais atrelados a este modelo espúrio e absurdo.

Assim, quando resolvem pular fora destas empresas telefônicas para um modelo de banda larga mais moderno, barato e confiável, precisam continuar pagando o dito “provedor de conteúdo” só para manter seu endereço de e-mail nos “Terras” e “UOLs” da vida.

Como deveria ser?

Simples: quando alguém contrata um acesso em banda larga à internet, deve pagar apenas e tão somente para a empresa que está oferecendo o serviço. Nada de ser obrigado a contratar outras empresas só para lhe fornecer um nome de “usuário” que é apenas um endereço de e-mail, para se “autenticar” no serviço.

Outra coisa: as empresas de banda larga definitivamente não gostam que seus clientes utilizem a conexão para fornecer acesso a mais de um micro. Alegam que o acesso é fornecido apenas e tão somente para um único computador. Conseqüentemente, não aceitam que o usuário ligue um roteador no acesso à internet, o que permitira utilizar vários micros na mesma conexão banda larga.

Enquanto não chegamos a esta situação ideal, o ideal seria que os usuários que ainda são forçados a contratar o tal provedor de conteúdo não usassem este e-mail para suas atividades. Este endereço de e-mail está condenado, mais cedo ou mais tarde o usuário vai ter outras opções de banda larga e vai poder, alegremente, deixar de pagar esta extorsão.

Quem tem seu próprio site, deve utilizar o endereço de e-amil referente ao seu ele, algo do tipo “meunome@meusite.com.br”. Quem ainda não tem seu site, deve usar uma das ótimas opções gratuitas como o Gmail, Yahoo, IG, BOL e outros. Para que ficar atrelado à estes falsos provedores de conteúdo? Vamos sair fora desta obrigação que nos foi imposta.

Referências sobre este tema na Revista PnP: Edição 1: Web 2.0: Nova versão de Internet. Ou será só marketing? Edição 2: Entendendo e consertando acessos de banda larga Edição 4: Entendendo os endereços IP Edição 5: BrazilFW, roteador e firewall Edição 7: Quanto custa para fazer um site?

Publicado em 20/07/2008 às 00:00 hs


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NOSSOS LEITORES JÁ FIZERAM 2 COMENTÁRIOS sobre este artigo:
De: correiarangel (em 24/07/2008 às 16:19 hs)
Abaixo ao monopolio da telefonia!
Excelente matéria,mais estamos no ano de 2008 e ainda somos obrigados a aceitar a tirania dos grades. Oi gente, vamos acordar, o poder está em nossas mãos. Convoco todos a entupirem o PROCON governo etc com reclamações, abaixo assinados etc. As coisas só chegaram nesse ponto por que nós somos coniventes com tudo isso.
De: andrei_m (em 27/11/2016 às 17:29 hs)
As coisas não mudaram
Agora estamos no final de 2016, e as coisas continuam iguais. As firmas que oferecem internet banda larga continuam zombando dos consumidores, vendendo gato por lebre e cobrando caríssimo por conexões prá lá de fracas.

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